Cidade ferida! Niquelândia-Go, onde está sua cura?

A capital do minério, que por anos a fio despertou o olhar de mineradoras de todo o mundo, e da riqueza do seu chão, fez empregar tantos filhos seus, hoje vive como terreno mal trapinho

Por Semaías Pereira 20/02/2018 - 15:21 hs
Cidade ferida! Niquelândia-Go, onde está sua cura?
O município de Niquelândia-Go, fica a cerca de 300 km da capital do estado

Vivendo o pior momento, desde sua emancipação política em 19 de março de 1735, o pequeno município goiano, com pouco menos de cinquenta mil habitantes e com um riquíssimo e gigantesco solo, que faz da cidade a mais extensa em extensão territorial de todo o estado de Goiás, vive a mais profunda e angustiante crise de todos os tempos. 

 

Coube ao atual gestor do município, o agravamento de todo o desmantelamento da coisa pública ao longo dos últimos quatorzes meses, sem contar os males causados à municipalidade, quando de seu primeiro mandato como prefeito, na década de 1990, e pelos crimes cometidos em sua primeira gestão, o já cassado prefeito Valdeto Ferreira, começa a pagar pelos dolos praticados contra a administração pública, mas  a pena e castigo, parecem cair de uma vez por todas, sobre os ombros da tão sofrida comunidade niquelândense. 

 

O tempo dos atuais prefeito e vice à frente da prefeitura municipal já foram contados, e tão logo que seja publicado o acórdão do Superior Tribunal Federal, com a condenação do prefeito “ficha-suja”, por não conhecer o que realmente está por trás de toda tragédia público administrativa do município, a cidade esperançosa e ofegante deve respirar aliviada

 

Os sábios e entendidos do nosso povo, devem comungar com o pastor e líder político Semaías Pereira, que a situação de nossa terra, não é só política, administrativa e financeira, e a saída de Valdeto Ferreira, deveria levar consigo todo o carma que insiste em perpetuar em nossa municipalidade, mas não cabe ao prefeito levar consigo os sintomas e cismas de maldições que assombram nossas casas, tanto à que projeta Leis como a que ás executa. 

 

A ORIGEM DO MAL 


Quase todo sistema político administrativo no município, sofreu algum tipo de dano nos últimos anos, mas em especial nos últimos, quatorze meses, a lacerante dor de nossos servidores públicos, soou com voz acentuada e até os mais insensíveis de nossos governantes se sensibilizaram com a profundidade do descaso do atual administrador com os serventes da administração. Nossos professores e demais prestativos da municipalidade chegaram a amargar mais de quatro longos meses, sem receber salários, a queixas e insatisfação com os serviços da saúde são extremas, nossas praças antes floridas e com som de doce canção, entoadas pelo som da passarada, passaram e revelar um retrato, de uma terra, que outra fora habitada, nossa expectativa de asfalto em alguns dos  principais bairros, ruas e avenidas da cidade, deram lugar a problemas de saúde, trazendo queijas respiratórias a muitos de nosso filhos e em lugar de chão batido e massa asfáltica, oscilamos assim, um dia lama e no outro muita poeira!

 

A origem de toda essa inquestionável problemática não é outra se não maligna

 

CIDADE SEM NOME

 

Em recente entrevista a uma das rádios de nossa cidade, o prefeito Valdeto Ferreira, afirmou que a municipalidade não tem CNPJ, uma alusão a milionária dividida que o município tem com o estado e a união.

 

Entre os duzentose quarenta e seis municípios do estado de Goiás, Niquelândia lidera de forma isolada o rol dos maiores devedores da circunscrição

 

Ocupamos o lugar de maior devedor do estado de Goiás e estamos entre os quinhentos municípios mais endividados do país. A capital do minério, que por anos a fio despertou o olhar de mineradoras de todo o mundo, e da riqueza do seu chão, fez empregar tantos filhos seus, e hoje vive como terreno mal trapinho, somos uma cidade sem “casa”, estamos distantes de sermos o que se espera como referência nas áreas de saúde, educação, segurança, esportes, lazer, segurança, saneamento, e se fossemos contar com a riqueza de nossa terra, e dos milhares e milhares, e milhões de reais que passaram pela sucia de administradores chamados prefeitos de nosso povo, hoje seriamos referência, e modelo de pujante e graciosa administração

 

INTERESES DA FALSA “FÉ”


Exportaram nosso minério, levaram nosso ouro, e dos tributos que pagamos, à nossa social contribuição com a intenção de se fazer uma cidade melhor, serviu se de patrocínio para alguns políticos de nossa terra, alugarem prostitutas, corromperem seus pares, flertar leviana e covardemente com setores da justiça, e para calar a acusatória voz de suas consciências, com a contribuição popular em forma de IPTU, ICMS e demais impostos que receberam, corromperam pastores e padres, em nome de maior força e generosas doações de fé, a eventos gospel, e uma escancarada e desenvergonhada contribuição com a também intenção de entreter e perpetuar um dos maiores sistemas idolatras do Brasil

 

Diante da possibilidade de estenderem seus impérios da fé, lideres religiosos de nossa cidade ao longo dos anos permanecem coniventes com toda sorte de maledicência público-administrativa. O silêncio dos religiosos e seu constante alinhamento a homens que desonram e quebram alianças com seus pares, ferem o coração de mulheres e filhos, são infiéis em relacionamentos conjugais, beberrões e fanfarrões em todo seu estilo de viver, mas nunca foram confrontados, perderam uma a referência do verdadeiro caráter e espirito cristão.

 

Uma de nossas problemáticas e pecados que não queremos confessar, é que os homens que hoje ocupam lugar na Câmara Municipal de vereadores, e são prefeito ou vice, são os mesmos que aos domingos pela manhã, ou à noite estão diante da hóstia, e missas católicas, e outros em fervorosos cultos cristãos, mas em um e outro lugar, eles vão e vem, sem terem sido confrontados com seus atos, alianças e perversidades da vida diária, o que temos à frente do bem público, é o retrato de uma sociedade que se julga autossuficiente, e mesmo diante do que julga ser sagrado, está esquecida, e distante do verdadeiro Deus. 

 

Houve um tempo em nossa comunidade era casta, mesmo que o santo e puro movimento pentecostal não tivesse alcançado os quatro cantos de nosso país, e a cidade era em sua maioria católica, havia um profundo sentimento de respeito pela família, chegavam se ao frio salão da missa, e os homens tremiam e temiam em reverência aos barrosos santos da comunidade papal, em algum outro lugar, cristãos, que por alguns eram chamados de os “Bíblias” frequentavam suas igrejas, como se assistissem à presença do próprio Deus, mas em dias hodiernos, se temem as missas, com o mesmo nível de sentimento que se frequenta os clubes e cantarolam e falam, e assistem aos cultos evangélicos com o mesmo glamour de uma sala de cinema ou passarela cor e luxo. Nossa cidade está ferida, política e moralmente

 

AUSÊNCIAS DE LIDERES SOBRAM OS GRUPOS


Mesmo com os vacantes cargos de prefeito e vice, e diante das dezenas de nomes que tem se colocado a disposição para concorrer às eleições suplementares, existe um gingante vazio de ideias e propostas e ainda falta um profundo desejo pessoal, em solucionar os problemas de nossa gente.  

 

Todo homem que se entrega ao ofício da vida pública, em seu interior ele conhece, que esta função é extremamente sagrada, para fazer do exercício do cargo, um meio de controlar-se de vida, ou então alimentar sorrateiramente o ego que o faz pensar de si mesmo com sendo “rei”, ou algum tipo de deus, entre os homens. Mas esse sentimento interior e desejo de sacrifício pessoal a favor da coletividade, têm sido substituídos pela transitória gloria do ter, em detrimento do ser, e ao trilhar esse caminho, muitos tem caminhado a passos largos rumo ao desconhecido. 

 

Para esconder a crescente ignorância política da grande maioria de nossos líderes municipalistas, a moda na atualidade, sãos os chamados grupos políticos, onde prevalece a lei das pesquisas de opinião, ou seja, o que melhor despontar no gosto de alguns incautos será o pretenso “rei” da tola corte. O que é um verdadeiro atestado de que estamos em crise, e não só financeira, moral e política, mas também está ausente a força decisiva e pessoal, que moveu o pequeno Davi diante do gigante Golias, a desprezar os grupos do grande rei Saul, e sua comunidade guerreira de cem, cinqüenta, e até de milhares do exército e por contra própria e direção divina, lavou a honra de seu povo, ao destruir não o desafiante gingante filisteu, mas quebrou todo o maligno e opressor sistema que afligia o povo hebreu (1Samuel 17).

 

Alguns dos políticos da atualidade e bem conhecidos de nossa gente, estão inteirados quanto o caminho da decisão pessoal, mas estão constrangidos em percorrê-lo, posto que de um lado sentem medo, de outro culpa e de todos os lados sua própria consciência os acusa e condena. Um homem cheio de culpas, desmotivado, e que no passado fez parte de alianças escusas, jamais deveria ser conduzido à líder de seu povo, tampouco, os patrocinados pelos depostas de ontem e de hoje. 

 

UM POVO SEM CRÉDITO


Calamitante é a situação política de nossa municipalidade, a cidade tão dependente do minério, está como criança pequena, que suspira pelos braços da mãe, que não existe mais

 

Nossos governantes parecem atrofiados e sem força na criação de possibilidades reais que possam gerar emprego e renda para nossos filhos e trazer dignidade aos pais acostumados ao trabalho. 

 

A má sorte dos agoureiros e destino próximo do fim, aproximam se do coração de muitos, e na expectativa de salvar o pouco que sobraram, famílias inteiras saem sem olhar para trás, e seguras abrigam-se nas asas de cidades como Anápolis, ou a própria capital do estado, outros na esperança de um dia retornar caminham quase que sem forças rumo a Uruaçu, e até Colinas do Sul, a cidade com restrição de crédito e parte de sua receita bloqueada por ações judiciais, parece que perdeu quase tudo, até mesmo a fé. 

 

CULTOS E ROMARIAS 


A capital do minério é nacionalmente conhecida como cidade fé, e sobre o culto e festejos de romeiros em direção ao Muquém, em devoção a imagem padroeira, colocam Niquelândia, como alvo preferido das palavras do profeta Jeremias, e a não conversão do povo pode em pouco tempo, dar a nossa gente o mesmo destino que o Deus do céu, assegurou as cidades de Judá e as ruas de Jerusalém (Jeremias 7).

 

Não é só a comunidade dos idolatras, mas os frequentadores da casa, conhecida como sendo a morada de Deus, podem estar debaixo da mesma condenação (Jeremias 7. 13 a 34). 

 

Nossa ordem política está sem foco, e nossos lideres religiosos confusos, e preocupados com seu “mundo”, os protestantes de nossa terra não protestam mais, estão enganando o povo, e em vez de um dia de proibição, com clamor, jejuns e orações, e pesarosas lágrimas diante de Deus pela cidade, estão afagando o ego do folgado rebanho com espíritos profeteiros em nome do Senhor do céu, e entregam carros, casas, casamentos, e são carros que não se pagam, casas que não tem paz para habitar e casamentos que em dias sucumbem no divórcio, e em nome de Deus, se distanciam cada vez mais do verdadeiro e único Deus vivo. 

 

A historicidade do catolicismo foi zelosa na imagem e memoria do espirito cristão ao longo dos anos, mas suas romarias com milhares de fieis e seguidores em nossa terra, tem gerado pouco ou quase nenhum resultado, quando o assunto é erguer a  voz em defesa do pobre, das crianças e da moralidade pública, em um só cortejo, oferecem culto a falsa divindade, entregam se à luxuria, alcoolismo, sexo ilícito, desrespeitam seus pares, embriagam ao ponto de não suportarem mais o peso do corpo, e no final, voltam felizes e crentes que prestaram um culto a Deus, não sabendo esses mesmos que dia a pós outro, o próprio Deus têm lhes sido por adversário (Êxodo 23. 22).

 

A CURA


A única saída para nossa municipalidade está em voltar-se para o Senhor o seu Deus. Serão de pouco préstimo e utilidade política o prefeito Valdeto Ferreira e o vice, serem apeado da prefeitura, e o espirito maligno que tem se apossado dos setores da administração continuar a agir em nossa cidade, a questão de nossa municipalidade, tem caráter político, econômico e social, mas isso não excluí a força espiritual por traz de todo o sistema. 

 

A cura para nossa cidade é voltar-se para Deus! O padrão moral de nossa municipalidade é um dos mais baixos de que se tem notícia. O lago e rios de nossa terra, lugar de festejos, pescas e recreação, foram transformados em verdadeiras casas de prostituições, o alto índice de pessoas com doenças sexualmente transmissível estão longe de ser apequenados. Uma cidade jamais será politica e economicamente correta, se esse espirito de correção primeiro não for gerado no caráter de nossos filhos, e forjado com a graça de Deus, pela graça e paterna benção da verdadeira religião, que sempre nos devolve ao verdadeiro caminho, quando não mais estávamos nele.  

 

Ainda fazeis isto outra vez, cobrindo o altar do Senhor de lágrimas, com choro e com gemidos; de sorte que ele não olha mais para a oferta, nem a aceitará com prazer da vossa mão. E dizeis: Por quê? Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira, e a mulher da tua aliança”  (Malaquias 2:13,14).

 

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Crônicas 7:14)

 

Sobre o autor:

Semaías Pereira, é, pastor evangélico, escritor, presidente do conselho de pastores e líderes evangélicos na cidade de Niquelândia, e estado de Goiás (COPLEN e COPLEGO); atual presidente do Conselho de pastores e líderes evangélicos do Brasil (COPLEB); formando em Direito, escritor e presidente do PSL – Niquelândia.