Jovem é indiciada por morte da filha de 2 anos após alegar que criança foi espancada por namorado

Apesar de negar autoria, investigação apontou que mãe deixou criança cair de cabeça ao tentar entrar em casa com ela pela janela, em Formosa. Menina morreu após 11 dias na UTI

10/02/2018 - 20:17 hs
Foto: (Polícia Civil/Divulgação)
Jovem é indiciada por morte da filha de 2 anos após alegar que criança foi espancada por namorado
Reconstituição ajudou polícia a desvendar o crime e indiciar a mãe pelo homicídio

Uma jovem de 22 anos foi indiciada pela morte da filha, de 2, em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. O crime ocorreu em janeiro de 2017. Durante a investigação, ela alegou que o namorado, 26, teria espancado a criança. No entanto, após mais de um ano de investigação, a Polícia Civil concluiu que ela deixou a menina cair de cabeça no chão enquanto tentava entrar em casa pela janela.

O inquérito foi concluído nesta sexta-feira (9), quando será remetido ao Judiciário. A suspeita responde em liberdade. Além do homicídio culposo - quando não há intenção de matar - ela também responderá por denunciação caluniosa. Se condenada, pode pegar até 11 anos de prisão.

De acordo com o delegado Vytautas Zumas, responsável pelo caso, disse que, durante toda a investigação, a jovem negou autoria do crime. No entanto, a versão apresentada por ela não se sustentava.

"Após a criança se machucar, ela chamou o Samu, mas não dizia o que havia ocorrido. Depois de muita insistência, ela afirmou que tinha dado um chá para a filha. Porém, a menina apresentava lesões na cabeça, já estava em coma e apresentando convulsões", disse o delegado ao G1.

A garota foi socorrida e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, mas como a situação era grave, no dia seguinte, teve de ser transferida para o Hospital de Base, em Brasília. O relatório médico apontou fratura em três ossos do crânio. Após 11 dias internada na UTI, ela morreu.

Investigação

Depois da morte, a polícia seguiu com a investigação. Além de negar, a jovem ainda denunciou que o namorado teria espancado a filha. O homem, no entanto, também sempre alegou inocência.

Várias diligências foram feitas, inclusive, uma reconstituição. Foi quando o delegado descobriu o que de fato havia ocorrido.

"No dia do crime, pela manhã, o namorado havia brigado com jovem alegando que ela era relapsa em relação aos afazeres domésticos, trancou a casa e levou a chave da porta. Na volta, ela tentou entrar pela janela e acabou derrubando a filha", pontuou.

Mesmo nunca confessando o homicídio, o delegado concluiu a apuração indiciando a mulher baseada em três pontos principais: o depoimento de testemunhas, a quem ela relatou informalmente o ocorrido; a reprodução simulada dos fatos; e a quebra do sigilo telefônico do namorado, que comprova o fato dele não estar com a criança no momento da morte.

Zumas revelou que logo após o a morte, o casal rompeu, mas reataram três meses depois pelo fato dela alegar que estava grávida dele. Porém, após o nascimento, ele descobriu não ser o pai e a relação, de fato, acabou.