Testemunha envolve vereador e miliciano na morte de Marielle, diz jornal

Testemunha envolve vereador e miliciano na morte de Marielle, diz jornal

'O Globo' publicou que homem procurou a polícia e revelou que Marcello Siciliano (PHS) e Orlando de Curicica queriam a vereadora morta

09/05/2018 - 01:18 hs
Foto: (reprodução)
Testemunha envolve vereador e miliciano na morte de Marielle, diz jornal
A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ)

Prestes a completar dois meses e ainda sem serem esclarecidos, os assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e do motorista dela, Anderson Gomes, podem ter ganhado uma importante testemunha. Segundo reportagem publicada pelo site do jornal O Globo na noite desta terça-feira (8), um homem que integrou uma milícia carioca procurou a polícia para relatar que o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e o miliciano e ex-policial militar Orlando de Curicica, que está preso, queriam a morte de Marielle. A vereadora foi assassinada com quatro tiros na cabeça no dia 14 de março, quando deixava, de carro, um evento político no Estácio, Centro do Rio. Anderson, que dirigia o veículo, foi atingido por três disparos nas costas.

Ao jornal, Siciliano afirmou não conhecer Orlando e classificou o conteúdo dos depoimentos como “notícia totalmente mentirosa”.

Em troca de proteção, segundo O Globo, a testemunha prestou três depoimentos à Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil, nos quais detalhou como a execução de Marielle Franco foi planejada e forneceu nomes de quatro homens que teriam sido incumbidos do crime, além de informar datas, horários e locais de reuniões entre Siciliano e Orlando desde junho de 2017. Conforme O Globo, mesmo detido no presídio de Bangu 9 desde outubro do ano passado, o miliciano ainda comanda um grupo paramilitar na Zona Oeste carioca.

A testemunha teria dito aos investigadores que presenciou um encontro entre o vereador e o miliciano em um restaurante no Recreio dos Bandeirantes, também na Zona Oeste, no qual ouviu Marcello Siciliano e Orlando de Curicica falando sobre a vereadora. “Eu estava numa mesa, a uma distância de pouco mais de um metro dos dois. Eles estavam sentados numa mesa ao lado. O vereador falou alto: ‘Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando’. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: ‘Marielle, piranha do Freixo’. Depois, olhando para o ex-PM, disse: ‘Precisamos resolver isso logo’”, relatou o homem, segundo O Globo.

Ele teria citado como motivo da desavença entre Marielle Franco e Marcello Siciliano a atuação da vereadora em comunidades da Zona Oeste nas quais milícias têm interesse, mas que ainda seriam dominadas por traficantes. “Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo. Orlando era o braço operacional do vereador na Zona Oeste. O vereador continuou a contar com o apoio da quadrilha mesmo depois que o miliciano ser preso ano passado”, disse o homem, conforme o jornal.

Ainda segundo O Globo, a testemunha declarou que a ordem para o crime foi dada um mês antes dos assassinatos, de dentro da cadeia de Bangu. Orlando de Curicica teria determinado que homens de sua confiança clonassem um carro e encarregado um homem identificado como Thiago Macaco de levantar detalhes sobre a rotina de Marielle.

A testemunha teria sido obrigada a trabalhar como “segurança” do miliciano por cerca de dois anos. O homem teria sido ameaçado de morte e coagido a partir do momento em que Orlando tomou a comunidade onde ele trabalhava instalando equipamentos de TV a cabo. “Fui coagido: ou morria ou entrava para o grupo paramilitar. Virei uma espécie de segurança dele. Também ficava responsável por levar o filho para a escola; acompanhava a mulher de Orlando para compras em shoppings”, relatou, conforme O Globo.

Ainda conforme o jornal, a testemunha revelou que os assassinatos do ex-assessor de Marcello Siciliano Carlos Alexandre Pereira Maria, o Alexandre Cabeça, de 37 anos, e do policial militar reformado Anderson Claudio da Silva, de 48 anos, foram “queima de arquivo” relacionada às mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes.