Travesti é transferida para presídio feminino após decisão da Justiça

Kellyta Rodrigues de Sousa, de 29 anos, foi presa suspeita de matar outra travesti que teria se recusado a pagar para trabalhar em um ponto de prostituição de Araguaína

09/06/2018 - 21:59 hs
Foto: (Polícia Civil/Divulgação)
Travesti é transferida para presídio feminino após decisão da Justiça
Travesti está presa suspeita de assassinato

travesti Kellyta Rodrigues de Sousa, de 29 anos, foi transferida para um presídio feminino após uma decisão da Justiça. Registrada no nascimento como Samuel, foi presa na última quinta-feira (7) suspeita de assassinar outra travesti, conhecida como Vitória Castro. O crime foi em abril de 2017.

O juiz Antonio Dantas de Oliveira Júnior entendeu que os direitos reconhecidos da presa foram desrespeitados. "Os direitos humanos precisam sair do papel e serem cumpridos, é que o discurso, por si só, é um natimorto", escreveu ele na sentença.

"Solicitei que ela fosse colocada na cadeia feminina, pois apresenta expressão física de mulher e personalidade feminina, sendo ilegal a sua manutenção em cadeia masculina, ainda que isolada dos homens", disse o defensor público Sandro Ferreira Dias, que moveu a ação.

A Secretaria de Cidadania e Justiça, que administra o sistema prisional, disse que a transferência já foi feita e que Kellyta está em uma cela isolada na Cadeia Pública de Babaçulândia.

O crime

A detenta é suspeita de ter matado outra travesti conhecida como Vítória Castro. O crime aconteceu em abril do ano passado, na avenida Bernardo Sayão, no Setor Entroncamento.

De acordo com a Polícia Civil, Vitória se prostituia no local há vários anos, junto com outras travestis. Ela foi espancada e morreu dias depois em decorrência de um traumatismo craniano.

Segundo a polícia, testemunhas contaram que a suspeita chegou a Araguaína alegando que o ponto de prostituição era propriedade dela, por tê-lo adquirido de outra travesti. Por isso, todos que atuavam no local deveriam pagar uma taxa para a utilização do lugar, além de percentuais sobre os programas com clientes.

Como a vítima não aceitou os termos do acordo proposto, se transformou em impedimento para o aliciamento de prostitutas. Esse teria sido o principal motivo do crime.