Sexo oral aumenta casos de gonorreia intratável no mundo

Organização Mundial da Saúde fala em

15/10/2017 - 15:59 hs
Foto: (pinterest/Reprodução)
Sexo oral aumenta casos de gonorreia intratável no mundo
Sexo oral aumenta casos de gonorreia intratável no mundo

A grande maioria de nós foi criada em um mundo capaz de combater infecções bacterianas sem perrengue — o antibiótico foi criado em 1928 por Alexander Fleming. 

Mas, há alguns anos, os médicos já alertam sobre a capacidade (e velocidade) com que as bactéria adaptam-se aos remédios usados para combatê-las.

A mais preocupante no momento é a responsável por causar uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no planeta: a gonorreia.

De acordo com uma série de novos relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), os especialistas estão convictos que o sexo oral está piorando o problema.

“Quando você usa antibióticos para tratar infecções, como uma dor de garganta normal, isso se mistura com a Neisseria [diplococo que habita o trato respiratório e causa a gonorreia na garganta] e resulta em resistência”, explicou Teodora Wi, médica no ramo de reprodução humana da OMS.

Por conseguinte, a bactéria continua ativa na cavidade bucal e pronta para ser transmitida no caso de chupiscada sem preservativo.

A doença geralmente não é mortal e muitas pessoas que a pegaram nem sequer apresentam sintomas de infecção.

Mas, se não for tratada, ela pode causar cicatrizes e inflamações genitais que eventualmente levam à infertilidade em homens e mulheres, ao mesmo tempo em que fica mais fácil desenvolver outras infecções.

Também pode se espalhar de mãe para filho no útero, aumentando o risco de aborto espontâneo ou trazendo danos para a criança nascida, como a cegueira.

O sinal de alerta soou quando o estudo de vigilância de clínicas e hospitais entre 2009 a 2014 apontaram casos de gonorreia resistente a antibióticos em 97% dos 77 países investigados.

Isso é a resposta da ineficiência da ação das drogas de primeira linha (mais comuns), incluindo a penicilina e a ciprofloxacina.

Essa realidade levou as agências de saúde, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, a recomendar o tratamento com um coquetel de antibióticos: azitromicina misturado com outra classe de remédios de último recurso, conhecidos como cefalosporinas, ou ESCs.

O problema? Em 81% dos países, os pesquisadores da OMS detectaram uma crescente resistência à azitromicina e, em 66%, encontraram tensões físicas ao acumulo de ESCs. Pior ainda, casos no Japão, França e Espanha exibiram resistência completa ao tratamento. Ou seja, droga alguma fez efeito.

“Esses casos podem ser apenas a ponta do iceberg, uma vez que países subdesenvolvidos possuem sistemas carentes para diagnosticar e relatar infecções intratáveis”, disse Teodora.

Em todo o mundo existem cerca de 78 milhões de novos casos por ano e os pesquisadores estão trabalhando com três novos medicamentos em ensaios clínicos, embora apenas um deles esteja pronto para ser produzido em grande escala.

Apesar dos esforços médicos, a indústria farmacêutica demonstra não ter interesse em investir neste campo.

Diferente de remédios para o coração, que são condições crônicas, a gonorreia é vista como algo que pode ser resolvido com um enxaguante bucal. Essa é a clara definição de que as coisas irão piorar antes de melhorarem, de fato.