Dependentes de álcool têm inteligência emocional afetada, aponta estudo da USP

Pesquisa aponta que pessoas em tratamento para o alcoolismo apresentam dificuldade no reconhecimento de emoções. Característica impossibilita reações adequadas ao ambiente, diz pesquisadora

05/12/2017 - 10:18 hs
Foto: (Daniela Ayres/G1)
Dependentes de álcool têm inteligência emocional afetada, aponta estudo da USP
Dependentes alcóolicos apresentam mais históricos de traumas na infância do que pessoas saudáveis, a

No meu mundo de bebedeira, eu não olhava a minha volta. O mundo parece que era só meu e eu não prestava atenção se havia alguém triste ou não. Pra mim, era a mesma coisa. No meu caso, quando eu bebia, o mundo era meu e de mais ninguém."

O relato de um homem que prefere não se identificar e que está em tratamento contra o alcoolismo atesta uma pesquisa da equipe de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da USP, que aponta que dependentes alcóolicos têm a inteligência emocional afetada. Segundo a psicóloga e pesquisadora Mariana Donadon, o grupo que participou do estudo apresentou dificuldades para reconhecer emoções no rosto das pessoas, característica que os impossibilita de ter reações adequadas ao ambiente.

O estudo feito em Ribeirão Preto (SP) analisou pacientes em tratamento ambulatorial contra o álcool no Hospital das Clínicas (HC) e voluntários saudáveis. Em computadores, foram exibidas imagens de pessoas com diferentes expressões no rosto para que todos pudessem identificar as emoções e nomeá-las como alegria, tristeza, raiva, surpresa, medo ou nojo.

De acordo com a pesquisadora, o índice de erros foi maior entre os dependentes de álcool, que também levaram mais tempo para fazer o reconhecimento, ao contrário do grupo saudável, que não consome bebidas alcóolicas.

“A habilidade de reconhecer expressões faciais de emoção é uma habilidade inata. Isso significa que a gente nasce com essa capacidade de reconhecer as expressões faciais de emoção básica. Os dependentes de álcool em algum momento perdem essa habilidade”, afirma.