Quem é Coronel Nunes, novo presidente da CBF durante suspensão de Del Nero

Antônio Carlos Nunes, vice mais velho da entidade, foi prefeito biônico, mas recebe como anistiado político. Ele teve eleição polêmica na CBF

16/12/2017 - 03:00 hs
Foto: (divulgação)
Quem é Coronel Nunes, novo presidente da CBF durante suspensão de Del Nero
Coronel Nunes foi presidente interino da CBF no início de 2016 e agora volta ao cargo

A suspensão imposta pela Fifa a Marco Polo Del Nero, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), catapultará ao cargo máximo do futebol nacional o vice-presidente mais velho da entidade, Antônio Carlos Nunes, o Coronel Nunes - esta é a determinação do estatuto do órgão. Aos 81 anos, ele também chefia a Federação de Futebol do Pará.

De janeiro a março de 2016, Nunes chegou a ocupar o cargo de presidente interino da entidade, quando Del Nero pediu licença voluntária "por motivos de ordem pessoal", mas deixou o cargo a partir do momento em que o presidente decidiu voltar. 

Desta vez, o coronel ficará no comando da CBF por pelo menos 90 dias: este é o período mínimo do gancho imposto pela Fifa, que poderá ser estendido por mais 45 dias. O comunicado da entidade informou que "a decisão foi tomada diante do pedido do presidente da câmara de investigação, levando em conta a investigação formal sobre o senhor Polo Del Nero".

Quem é Coronel Nunes

Apesar de ter sido comandante militar e prefeito biônico em Monte Alegre (PA) no período da ditadura, o Coronel Nunes recebe até um saldo mensal de R$ 14,7 mil como perseguido pelo regime e futuramente anistiado, segundo reportagem de Lúcio de Castro em 2016. Além das prestações mensais, ele ganhou uma indenização retroativa de R$ 243.416,25 em 2003.

Antes de assumir pela primeira vez a presidência da CBF, o dirigente reclamou das críticas que vinha recebendo. "Não sei qual é o preparo que eles [críticos] acham que tem de ter para ser presidente da CBF. Se tiver uma faculdade que o cara tem de ter para ser dirigente maior do futebol nacional a gente corre atrás", questionou.

A eleição de Nunes para vice-presidente da CBF se deu em dezembro de 2015, apenas 21 dias antes de ele assumir a presidência interinamente, e foi cercada de polêmicas: apesar de ser da Região Norte, o cartola ganhou o cargo pela Região Sudeste. O também vice Delfim de Pádua Peixoto Filho, opositor de Del Nero, apontou que teria ocorrido uma "jogada política" para tirá-lo da linha sucessória. Meses depois, ele morreu no acidente aéreo da Chapecoense.

No pleito, o coronel teve apoio de 44 das 67 federações estaduais e clubes das séries A e B aptos para votar. Houve três votos contra, três em branco e cinco abstenções.

Sem sair do Brasil

Del Nero não sai do Brasil desde maio de 2015. No país, ele não é acusado de nenhum crime. A Fifa, porém, decidiu reabrir a investigação a respeito do presidente da CBF após depoimentos ligarem o nome dele a subornos para beneficiar empresas de marketing esportivo em contratos relacionados a Copa América, Copa Libertadores e Copa do Brasil. Os promotores nos Estados Unidos afirmam que o dirigente recebeu US$ 6,5 milhões. Del Nero nega as acusações. 

Nos últimos dias, a partir do momento em que o cerco a ele se fechou, o presidente da CBF havia admitido pela primeira vez, a dirigentes próximos, a possibilidade de deixar o comando da entidade.

Ao menos por enquanto, a próxima eleição na CBF está prevista para abril de 2018. No entanto, a posse da chapa vencedora só será feita em abril de 2019, quando se encerrará o mandato da diretoria atual. Del Nero tinha pretensão de concorrer à reeleição.