Polícia monta força-tarefa para investigar morte de dois agentes prisionais em Anápolis

Suspeita é que haja relação entre os crimes. Servidores cobram mais segurança e estrutura de trabalho

12/01/2018 - 21:34 hs
Foto: (Reprodução/TV Anhanguera)
Polícia monta força-tarefa para investigar morte de dois agentes prisionais em Anápolis
Agentes prisionais Eduardo e Ednaldo foram mortos a tiros em Anápolis

A Polícia Civil montou uma força-tarefa para investigar a morte de dois agentes prisionais em Anápolis. A suspeita é que haja relação entre os crimes. Servidores cobram mais estrutura de trabalho e segurança nas cadeias.

“Isso é um ataque ao estado, por isso determinamos essa força-tarefa no sentido de elucidarmos e darmos uma resposta o mais rápido possível para a sociedade”, disse o delegado-geral Álvaro Cassio dos Santos.

O agente prisional Eduardo Barbosa dos Santos, de 34 anos, foi morto a tiros quando chegava em casa do trabalho na terça-feira (2). Segundo a Polícia Civil, os autores chegaram em um carro fechando o veículo da vítima e atiraram mais de 20 vezes.

No mesmo dia, o também agente prisional Ednaldo Monteiro foi morto a tiros após comprar flores para o velório do colega de trabalho morto horas antes. Imagens de uma câmera de segurança mostram que, assim que a vítima entra no carro, três homens descem de outro veículo e atiram várias vezes.

Monteiro era supervisor de segurança da Unidade Prisional de Anápolis, mas foi afastado do cargo após ser preso em novembro durante a segunda fase da Operação Regalia, realizada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO). Segundo os promotores, ele e outros servidores recebiam propina em troca de regalias aos detentos. Em dezembro, a vítima conseguiu a liberdade provisória.

Além dos servidores, um detento foi assassinado dentro do presídio na quarta-feira (4). A suspeita é que a morte foi causada por uma rixa entre os internos. Sandoval de Jesus, de 50 anos cumpria pena a sete anos por feminicídio e foi golpeado com uma arma artesanal.

”Sofreu golpes de arma branca e veio a morrer no corredor. O pessoal ainda arrastou e colocou nesse saguão”, disse o perito criminal Wigney Gustavo Costa.

Falta de segurança

Servidores do sistema prisional protestaram em várias cidades contra a falta de estrutura de trabalho e segurança.

Com a morte dos agentes em Anápolis, a cobrança foi ainda maior. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários de Goiás, são 800 presos na cadeia que deveria abrigar 300. Para monitorar toda população carcerária, são 100 agentes prisionais, mas só 12 trabalham por dia. “Precisa, no mínimo, de 28, 30 ”, disse o presidente da entidade, Maxuel das Neves.

Segundo o sindicato, devido à situação, servidores já pediram para deixar o cargo. “Falta armamento, munição, alguns vigilantes pediram distrato. Tem até o caso de um servidor concursado que pediu exoneração, então a situação é tensa”, disse Neves.

A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária informou ainda não recebeu nenhum pedido de exoneração por parte de servidores e oferece condições dignas de trabalho. Ainda será investigado as denúncias feitas pelo sindicato. O órgão afirmou ainda que foram convocados 1,6 mil novos agentes prisionais para reforçar a segurança dos presídios do estado. (Com informações do G1).