Empresa que patrocinava o Vasco some e deixa prejuízo de R$ 1,5 milhão aos investidores

Segundo informações do programa Bom Dia Rio, da TV Globo, 3.300 pessoas que confiaram o dinheiro nessa empresa ficaram sem ter como buscar o investimento de volta

23/02/2019 - 01:15 hs
Foto: divulgação
Empresa que patrocinava o Vasco some e deixa prejuízo de R$ 1,5 milhão aos investidores
Empresário Jonas Jaimovick desapareceu com o dinheiro de milhares de clientes que aplicaram na JJ

O proprietário do grupo de investimentos JJ Invest, Jonas Spritzer Amar Jaimovick, desapareceu e deixou um prejuízo de R$ 1,5 milhão nas contas de investidores. A empresa, que chegou a patrocinar o time carioca Vasco da Gama, era suspeita de atuar em esquema de pirâmide financeira.

Segundo informações do programa Bom Dia Rio, da TV Globo, 3.300 pessoas que confiaram o dinheiro nessa empresa ficaram sem ter como buscar o investimento de volta, uma vez que a empresa localizada em Copacabana (Zona Sul do Rio de Janeiro) fechou as portas e dono simplesmente sumiu no mapa.

De acordo com matéria publicada no Jornal O Globo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) havia aberto um processo contra a empresa para que a ex-patrocinadora do Vasco parasse de oferecer serviços de administração de investimentos. O motivo é que não havia autorização.

A advertência, contudo, era só um dos problemas da companhia que entregava rentabilidade entre 5% e 10% ao mês a centenas de investidores. Isso fez com que a empresa de Jonas Jaimovick se tornasse suspeita de arquitetar esquema de pirâmide financeira e assim passou a ser investigada em inquérito da Polícia Federal.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) chegou a soltar um alerta aos investidores no dia 04 de janeiro sobre a atuação irregular da Jonas Spritzer Amar Jaimovick e Spritzer Consultoria Empresarial Eireli – ME (Razão social da JJ Invest).

De Neymar ao Vasco

A empresa que foi fundada em 2016 chamava a atenção com o alto retorno das aplicações que oferecia e foi isso que acabou levando até ela mais de 3 mil investidores que hoje não sabem o que fazer para ter de volta seu dinheiro.

Além de ter multiplicado investidores, a empresa somou patrocínios aos clubes esportivos em seu currículo. Nem o jogador Neymar foi esquecido. O nome da empresa já esteve estampado no peito do jogador.

Isso ocorreu no jogo beneficente Futebol contra a Fome, que ocorreu no Parque do Sabiá, em Uberlândia (MG), e teve patrocínio da empresa que também estampou as camisas de outros atletas presentes, como Vinicius Júnior e Kaká.

O patrocínio do Vasco da Gama começou em novembro de 2018. A empresa desembolsou R$ 1 milhão na empreitada, quase o valor que ela deixou de prejuízo aos seus investidores.

Arquitetura da pirâmide

Essa não é a primeira e tampouco a última vez que pessoas se deixam enganar por ganhos fáceis. A JJ Invest prova que isso não é uma particularidade de empresas envolvidas no mercado de criptomoedas.

Aliás, o Procurador da República Celso Tres deixou isso claro durante uma entrevista cedida à Rádio Gaúcha. Para ele, o objeto usado de fundo pouco importa.

“(…) é a famosa pirâmide na qual há um motivo qualquer para alguém oferecer um grande rendimento de dinheiro, igual já tivemos um caso internacional, inclusive, que tinha americano envolvido. Foi a Telexfree no Brasil, que era ligações telefônicas a partir de anúncios, que as pessoas pagavam e ofereciam 200% de rendimento ao ano. Então aqui no caso é a criptomoeda”.

Nesse trecho, Tres se remetia as empresas envolvidas com criptomoedas e que estavam sendo investigadas pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, por suspeitas de pirâmide. Dentre as tais, estavam a Unick Forex e a InDeal.

Ouro de tolo

Assim como qualquer esquema piramidal, os investidores só dão conta do golpe quando não encontram mais dinheiro, conforme alertou Tres durante a entrevista:

“O alastramento disso é muito rápido (…) viraliza no mercado. As pessoas acabam se entusiasmando com esse tipo de taxa e aplicam desmesuradamente (…) No início, obviamente, elas recebem, as vítimas vão se dar conta a partir de agora quando não encontrarem mais o dinheiro”.

A JJ Invest trabalhava com ações na bolsa de valores. Sua atuação nada tinha a ver com criptomoedas. A empresa estava num mercado regulado pela CVM por se tratar de negociação com ações (espécie de Valor Mobiliário).

A Comissão de Valores Mobiliários fez seu papel enquanto órgão regulador ao emitir o alerta sobre a atuação irregular da empresa no oferecimento de investimentos, mas a ilusória expectativa de ganhar mundos e fundos deixou investidores num amargo prejuízo.