'Não me cabe fazer juízo de valor', diz Witzel sobre ação de militares em Guadalupe

Governador disse que país tem instituições capazes de dar resposta

09/04/2019 - 01:55 hs
Foto: Pedro Teixeira / Agência O Globo
'Não me cabe fazer juízo de valor', diz Witzel sobre ação de militares em Guadalupe
O governador do Rio, Wilson Witzel

RIO - O governador Wilson Witzel disse na noite desta  segunda-feira que não cabe a ele fazer juízo de valor sobre a ação de militares em Guadalupe, em que foi morto o músico Evaldo Rosa dos Santos. Na ação, foram disparados 80 tiros. Evaldo estava com a família no carro indo, segundo parentes, para um chá de bebê.

Questionado pelo GLOBO sobre sua avaliação a respeito da ação, o governador respondeu: 

- Não sou juiz da causa. Não estava no local. Não era a Polícia Militar. Quem tem que avaliar todos esses fatos é a administração militar. Não me cabe fazer juízo de valor e nem muito menos tecer qualquer crítica a respeito dos fatos. É preciso que a auditoria militar e a Justiça Militar e o Exército faça as devidas investigações. E eu confio nas instituições - afirmou ele depois de participar da posse do novo presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Reis Friede.

Witzel disse que não interfere nas investigações nem da Polícia Civil e nem do Exército.

- O exército entendeu que a competência de apuração dos fatos é dele. Se a Justiça Militar entender que não, vai declinar a competência. O tema e todos os fatos estão afetos à jurisdição militar. Não me cabe interferir, me posicionar e nem fazer juízo de valor. A única coisa  que queremos é que os fatos sejam esclarecidos. Temos instituições capazes de dar resposta à sociedade.

O governador disse lamentar a morte do músico. Em seu discurso na posse, Witzel não falou sobre o caso. Citou as forças armadas, agradecendo a instituição:

- Dizer da importância que tem as forças armadas arnadas no nosso país. A preservação da democracia certamente  passa pela importância que damos aos nossos soldados - disse ele no discurso.

Segundo a Polícia Civil, nove militares do Exército dispararam mais de 80 tiros contra o carro em que Evaldo estava com a mulher, o filho de 7 anos, além de uma afilhada do casal, de 13, e o sogro dele, Sérgio Gonçalves de Araújo, de 59 anos. A família estava indo para um chá de bebê.

Evaldo, que além de músico, trabalhava como segurança, morreu na hora. Baleado nos glúteos, Sérgio está internado no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Parentes e amigos dizem que as vítimas foram confundidas com bandidos. (Com conteúdo de O Globo).